Por Natan Costa Rodrigues.
Acho que li sobre o que vou falar no livro "A Crise do Mundo Moderno" de René Guénon. Ali o sábio francês ensinava como todas as possibilidades de uma decadência precisavam tomar lugar antes que a sua total extinção constituísse uma imposição necessária. Melhor deixar que ele fale:
Por inferior que seja o lugar ocupado por essas possibilidades na hierarquia do conjunto, elas devem, tal como as outras, ser chamadas à manifestação, de acordo com a ordem que lhes estava destinada. Neste aspecto, eu poderia dizer que o que caracteriza a última fase do ciclo, segundo a Tradição, é a exploração de tudo o que foi desprezado ou rejeitado no decurso das fases anteriores; e, efetivamente, é isso mesmo que podemos verificar na civilização moderna, que, de certo modo, vive apenas daquilo que as civilizações anteriores tinham rejeitado.
A essa interessante ponderação, acrescento que a manifestação dessas possibilidades não se resume ao mero fato, mas sim à revelação de sua verdadeira face. A literatura bíblica já vaticinava: "Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz". A forçosa realização das decadências constitui a manifestação precisa do que é a própria decadência. É desse modo que nós podemos conhecê-las.
Tal é a lei. Tal é o princípio e as implicações nele contidas. Agora mostra-se oportuno explicitar em que situação devemos aplicá-lo.
Trata-se do comunismo à brasileira, o fenômeno decadente que gostaria de submeter à régia lei. Especificamente, a sua vertente petista. Se entendi com alguma correção o comando exposto, segue-se que o petismo, antes de ser completamente expurgado para a história, deve esgotar todas as suas potencialidades, a fim de que também se veja a sua verdadeira e monstruosa fisionomia. Daí que todas as arbitrariedades de que ele está grávido devam vir à luz: fraudes, assassinatos de reputações, corrupções, suspeitas de narcoterrorismo etc.
É bem verdade que o seu rosto autoritário só é percebido por quem rejeitou a sua dominação. Também aí a dita lei se mostra inflexível. Sabe-se que a ditadura petista, regada em gramcismos e vaidades frankfurtianas, é extremamente sutil e evanescente. Domina os escravos desde o coração; arrebata-lhes a capacidade autocrítica; submete tudo à causa; submete a causa ao partido, inclusive. Como haveria de mostrar-se este fenômeno senão por meio de multidões imbecilizadas que acreditam piamente estarem contribuindo para um grande bem em nossa nação?
A isso some-se a luciférica capacidade que esse partido possui de sustentar a defesa da democracia por meios claramente antidemocráticos. Tal é o escárnio, a impostura, a desfaçatez com que, a olhos vistos, os prestidigitadores enganam. Mas não é a força da ilusão, a aparência de sua veracidade? Porém, e se a ilusão for mais desejada que a verdade? A injustiça mais que a justiça? Realmente muito se diz que o comunismo petista perverteu a alma do povo, engradecendo as coisas vis e rebaixando as que são elevadas. Se é assim, então devemos ver, ou melhor, já vemos há algum tempo as pessoas pedindo a prisão aos opositores; a violação de seus direitos, das suas garantias institucionais; a instituição de censuras, de perseguições, de exílios.
Do mesmo modo, como não veríamos as pessoas congratularem juntamente com um juiz corrupto e autoritário? Muito se denunciou que o petismo aparelha as instituições republicanas para se promover. Como vive de negociatas, de falcatruas, de alianças cabulosas. Não faz ele sentarem-se nos tronos da república os mais desprezíveis e mesquinhos; os colegas de longínquas carreiras criminosas? Como não haveria de se ver esses figurões entrarem em consórcio pela própria vida, defendendo com unhas e dentes o sistema que lhes alimenta?
E mídia? Se é verdade que está prostrada e vendida, então certamente sua manifestação não seria diferente do que transcorre nos jornais: um meticuloso e hábil trabalho de ofuscamento das imundícies do governo; uma ignóbil conivência com os disparates do Regime; uma constante sedição contra o próprio povo.
Que mais há para expor? Tamanhas e gritantes contradições não se mostram senão pelo fato escandaloso que encontra uma dupla resposta: de um lado, a parva e estéril consciência, que, à semelhança de uma foca, irrompe em palmas irracionais; e de outro, a cristalina percepção que, vendo a dorsal do monstro, quase não crê em tal audácia.
Por fim, não restam dúvidas de que muito há ainda que se manifestar e vir à tona. Ora, isso não deixa de ensejar uma certa expectativa. Olhando novamente a augusta lei, vemos que tais decadentes manifestações anunciam o fim daquilo que se mostra. Nesse sentido, o general do petismo já vai dando sinais de convalescença, e o seu partido, conquanto lute ferozmente, parece ir sucumbindo perante as novas forças que invadem o cenário político.


