sábado, 31 de outubro de 2026

O Crepúsculo do Petismo

 




Por Natan Costa Rodrigues.


Acho que li sobre o que vou falar no livro "A Crise do Mundo Moderno" de René Guénon. Ali o sábio francês ensinava como todas as possibilidades de uma decadência precisavam tomar lugar antes que a sua total extinção constituísse uma imposição necessária. Melhor deixar que ele fale:

Por inferior que seja o lugar ocupado por essas possibilidades na hierarquia do conjunto, elas devem, tal como as outras, ser chamadas à manifestação, de acordo com a ordem que lhes estava destinada. Neste aspecto, eu poderia dizer que o que caracteriza a última fase do ciclo, segundo a Tradição, é a exploração de tudo o que foi desprezado ou rejeitado no decurso das fases anteriores; e, efetivamente, é isso mesmo que podemos verificar na civilização moderna, que, de certo modo, vive apenas daquilo que as civilizações anteriores tinham rejeitado.

A essa interessante ponderação, acrescento que a manifestação dessas possibilidades não se resume ao mero fato, mas sim à revelação de sua verdadeira face. A literatura bíblica já vaticinava: "Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz". A forçosa realização das decadências constitui a manifestação precisa do que é a própria decadência. É desse modo que nós podemos conhecê-las.

Tal é a lei. Tal é o princípio e as implicações nele contidas. Agora mostra-se oportuno explicitar em que situação devemos aplicá-lo.

Trata-se do comunismo à brasileira, o fenômeno decadente que gostaria de submeter à régia lei. Especificamente, a sua vertente petista. Se entendi com alguma correção o comando exposto, segue-se que o petismo, antes de ser completamente expurgado para a história, deve esgotar todas as suas potencialidades, a fim de que também se veja a sua verdadeira e monstruosa fisionomia. Daí que todas as arbitrariedades de que ele está grávido devam vir à luz: fraudes, assassinatos de reputações, corrupções, suspeitas de narcoterrorismo etc. 

É bem verdade que o seu rosto autoritário só é percebido por quem rejeitou a sua dominação. Também aí a dita lei se mostra inflexível. Sabe-se que a ditadura petista, regada em gramcismos e vaidades frankfurtianas, é extremamente sutil e evanescente. Domina os escravos desde o coração; arrebata-lhes a capacidade autocrítica; submete tudo à causa; submete a causa ao partido, inclusive. Como haveria de mostrar-se este fenômeno senão por meio de multidões imbecilizadas que acreditam piamente estarem contribuindo para um grande bem em nossa nação? 

A isso some-se a luciférica capacidade que esse partido possui de sustentar a defesa da democracia por meios claramente antidemocráticos. Tal é o escárnio, a impostura, a desfaçatez com que, a olhos vistos, os prestidigitadores enganam. Mas não é a força da ilusão, a aparência de sua veracidade? Porém, e se a ilusão for mais desejada que a verdade? A injustiça mais que a justiça? Realmente muito se diz que o comunismo petista perverteu a alma do povo, engradecendo as coisas vis e rebaixando as que são elevadas. Se é assim, então devemos ver, ou melhor, já vemos há algum tempo as pessoas pedindo a prisão aos opositores; a violação de seus direitos, das suas garantias institucionais; a instituição de censuras, de perseguições, de exílios. 

Do mesmo modo, como não veríamos as pessoas congratularem juntamente com um juiz corrupto e autoritário? Muito se denunciou que o petismo aparelha as instituições republicanas para se promover. Como vive de negociatas, de falcatruas, de alianças cabulosas. Não faz ele sentarem-se nos tronos da república os mais desprezíveis e mesquinhos; os colegas de longínquas carreiras criminosas? Como não haveria de se ver esses figurões entrarem em consórcio pela própria vida, defendendo com unhas e dentes o sistema que lhes alimenta?

E mídia? Se é verdade que está prostrada e vendida, então certamente sua manifestação não seria diferente do que transcorre nos jornais: um meticuloso e hábil trabalho de ofuscamento das imundícies do governo; uma ignóbil conivência com os disparates do Regime; uma constante sedição contra o próprio povo. 

Que mais há para expor? Tamanhas e gritantes contradições não se mostram senão pelo fato escandaloso que encontra uma dupla resposta: de um lado, a parva e estéril consciência, que, à semelhança de uma foca, irrompe em palmas irracionais; e de outro, a cristalina percepção que, vendo a dorsal do monstro, quase não crê em tal audácia. 

Por fim, não restam dúvidas de que muito há ainda que se manifestar e vir à tona. Ora, isso não deixa de ensejar uma certa expectativa. Olhando novamente a augusta lei, vemos que tais decadentes manifestações anunciam o fim daquilo que se mostra. Nesse sentido, o general do petismo já vai dando sinais de convalescença, e o seu partido, conquanto lute ferozmente, parece ir sucumbindo perante as  novas forças que invadem o cenário político. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O QUE JEZABEL NÃO FEZ

 

Uma análise exegética de 2 Reis 9.30–33

 

Raimundo Francisco dos Santos

 

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar exegeticamente a perícope de 2 Reis 9.30–33, com o propósito de desconstruir um mito amplamente difundido no meio evangélico brasileiro: a ideia de que Jezabel teria tentado seduzir Jeú por meio do uso de maquiagem e ornamentos. A pesquisa fundamenta-se prioritariamente no texto bíblico, empregando métodos hermenêuticos e exegéticos, aliados à consulta de literatura teológica especializada. Demonstrar-se-á que a interpretação popular da referida passagem carece de sustentação textual, histórica e cultural, constituindo-se como resultado de equívocos interpretativos reiterados ao longo do tempo. Conclui-se que as ações de Jezabel devem ser compreendidas à luz de seu contexto histórico, político e psicológico, e não como uma tentativa de sedução.

Palavras-chave: Jezabel; Exegese bíblica; Hermenêutica; Mitos evangélicos; 2 Reis.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

A polarização política e a atuação da Igreja

  Por Natan Costa Rodrigues[1]

I - Introdução

A Igreja de Cristo é sabidamente uma das mais antigas instituições do mundo. Desde o seu nascimento em Jerusalém, no dia de Pentecostes, ela se expandiu por todos os continentes, consolidando terminantemente o seu caráter transnacional e mundial.

Embora se constitua espiritualmente de um único corpo, encabeçado por Cristo, não raras vezes no correr da história, os homens tentaram amordaçá-la a determinados contextos ou circunstâncias temporais, as quais, por suas características próprias, são complexas, variadas e efêmeras.

Atualmente, enfrenta-se um caso similar. A polarização política, movimento de massas com potente força convergente, faz sucumbir a um de seus polos estabelecidos, direita ou esquerda, tudo o que se aproxima de seu horizonte de eventos. Tal é a sua prodigiosa gravidade, que parece arremeter para si até mesmo a Igreja!

Não quero aqui, no entanto, tratar das ideologias que a informam e nem de suas características, coisas que fiz em outro lugar, para onde remeto o leitor[2]. Mas, almejo analisar, especificamente, o lugar e a atuação da Igreja no contexto de uma tal conjuntura.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Interesse e Ideologia: uma análise da polarização política brasileira


I - Introdução

A questão que nos propomos tratar de forma breve, diz respeito a vinculação existente entre os interesses e as ideologias, a origem da polarização política no Brasil e a forma como as ideologias atuam e interagem para formar o atual estado de coisas.

II – Breve histórico do termo “Ideologia” e sua vinculação ao “Interesse”

É conhecido o adágio popular, aliás, muito difundido atualmente, de que “interesses não tem ideologia”[2]. Tal provérbio parte da constatação de que os interesses são sempre particulares, enquanto as ideologias são ideais teóricos, por vezes inalcançáveis, verdadeiras utopias. O defensor dessa ideia conclui afirmando que na seara da política, os purismos ideológicos devem ser evitados; deve imperar o pragmático, aquilo que resolve efetivamente as coisas.

Apesar da força persuasiva dessa percepção, estou convencido de que na realidade sucede quase o contrário, ou seja, que “não há ideologia sem interesse”.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Deserto que gera Gigantes



Pastor Max Douglas

Quem deseja frutificar (apenas) na Carne, alcança o Cansaço (Baseado em Gl 5. 24,25)

Introdução

VAMOS COMEÇAR REFLETINDO SOBRE DESERTO: 

Deserto, para um servo de Deus, é uma expressão usada para que ele se refira às provas, adversidades e tentações que enfrenta constantemente.

E as permitidas e determinadas provações e adversidades, tem como um de seus propósitos, gerar homens e mulheres habilitadas, servos de Deus preparados. Capazes de suportar e encarar desafios que antes dos desertos da vida, jamais poderiam.

Os desertos da vida são escolas preparatórias para que os alunos do Reino, possam tornar-se súditos preparados para realizar a vontade de Deus.

E uma vez que os súditos encaram os desertos da vida, como provações da parte de seu Rei a fim de forjá-los, estes saem destes desertos, como verdadeiros GIGANTES, especialmente na vida espiritual. Pois de fato: DESERTOS GERAM GIGANTES.

Agora, como definir um Gigante?